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15/11/2007

Ninguém te vê Jesus



Ninguém te vê Jesus

Senhor
Tu que és Pai
Tu que ouves sem ouvidos
Tu ouves a minha dor
Tu sabes dos meus gemidos
Tu Senhor que és filho
És Irmão
Companheiro e amigo
Faminto
Doente e mendigo
Tu Senhor
És tudo aquilo que vemos
No mundo que concebeste
E destruímos dia a dia
Este mundo que nos deste
Já parece alma vazia
Ninguém vê o irmão
Precisando de ajuda
Carinho amor e pão
Todos escondem a mão
Olhando para o doente
Mendigo indigente
Já ninguém te vê neles Jesus
Será que é preciso
Voltares a morrer na Cruz ?




António da Costa

Não é Médico quem quer

Quando pequenas criaturas
A pergunta sacramental
Aparece a toda a hora
Já se tornou banal
O que vais querer ser?
Quando um dia vieres a crescer
A resposta vai saindo
Quase que mecanicamente
E ás vezes sem apetecer
Mas não querendo desgostar
O adulto insistente
Bombeiro, mecânico, policia
Condutor de camiões
E outras profissões
Mas a que mais vezes sai
E que mais agrada aos pais
Pelas razões mais banais
Prestígio e dinheiro
Que linda/o médica/o vais dar
Os doentes vais tratar
Sr. Dr. Te vão chamar
Que orgulho para nós
E também para teus avós
A isto se pode chamar
E sem que alguém se meta
A verdadeira conversa
DA TRETA
Mas a verdade é bem outra
Quando já adolescentes
Confrontados com a realidade
Desta nossa sociedade
Desprezível e mesquinha
Injusta e madrasta
Notas
A principal razão
Para o caminho a seguir
Na escolha da profissão

Notas altas são precisas
Para na faculdade entrar
Precisas são notas altas
Para as propinas pagar
Alguns é fácil avançar
Abundância é palavra certa
Para descrever suas vidas
Dinheiro e inteligência
E tenhem a porta aberta
Outros com sacrifício
Vão tentando a muito custo
Seguir o caminho escolhido
E com muitas privações
Lá conseguem um dia
Chegar junto com os favorecidos
E cortar a mesma meta
Mas eis que para os doentes
Começa aqui a sua sorte
Nas mãos de quem vai cair
Parece que são iguais
Mas há diferenças abismais
Entre os que estão por estar
Na medicina a tratar
Sem ser essa a vocação
E que se calhar seriam bons
Em uma outra profissão

E há então os outros
Muito menos de certeza
Que tratam com delicadeza
Os que lhe passam pelas mãos
Vendo nos doentes pessoas
Tratando-os como irmãos
Dedicados ao que fazem
Sacerdotes, Competentes
Missionários, Diligentes
Serão poucos?
Sim tenho a certeza
Mas há pelo menos um
Que pela sua dedicação
Drª JANA MARTINEZ
do fundo do coração
Lhe entrego
Minha eterna gratidão

António da Costa